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  • MARIANA, MINAS GERAIS, 5 DE NOVEMBRO DE 2015
    OS IMPACTOS SOCIOECONÔMICOS
    DO DESASTRE PROVOCADO PELO
    ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE FUNDÃO

O desastre que
não acabou

Por volta das três e meia da tarde do dia 5 de novembro de 2015, a Barragem de Fundão, no Complexo Industrial de Germano, em Mariana (MG), sob gestão da mineradora Samarco Mineração S/A, rompeu e provocou o extravasamento imediato de 32 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica. A onda de rejeitos soterrou e matou 19 pessoas que viviam no subdistrito de Bento Rodrigues, a 6 km da barragem.
Outros 13 milhões de metros cúbicos continuaram escoando lentamente nos dias subsequentes, até atingir o Oceano Atlântico na costa do Espírito Santo. Contaminada com metais e substâncias tóxicas, a lama de rejeitos percorreu quase 700 quilômetros da bacia do Rio Doce até o litoral e afetou ao menos 2,2 milhões de pessoas, em pelo menos 45 municípios de Minas Gerais e Espírito Santo.
A FGV foi contratada por meio de um acordo firmado em 2017 entre o Ministério Público Federal e o Ministério Público de Minas Gerais com a mineradora Samarco Mineração S/A, que operava a barragem, e com a Vale S/A e a BHP Billiton Brasil Ltda., suas sócias-controladoras. O objetivo do Projeto Rio Doce, que tem a participação de cinco escolas da FGV, é identificar e mensurar os danos socioeconômicos provocados pelo desastre.
Diagnóstico revela dimensão dos danos

O trabalho desenvolvido pela FGV no Projeto Rio Doce deve se encerrar em novembro de 2022. Até o momento, as equipes de pesquisadores fizeram parte relevante do diagnóstico sobre o desastre.

R$ 136 BILHÕES É O VALOR DO PIB PERDIDO

nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo nos três anos seguintes ao rompimento da barragem

20.475 MENOS POSTOS DE TRABALHO NA REGIÃO

significaram encolhimento de 4% do trabalho formal nos 45 municípios atingidos em razão do desastre

+ DE 500 FAMÍLIAS DESLOCADAS DE SUAS CASAS

e muitas ainda aguardam por uma moradia definitiva, mesmo depois de seis anos do desastre

8,4 VEZES MAIS REGISTROS DE CASOS DE VIOLÊNCIA

computados no SINAN, chegando a 171,6% de diferença em comparação com o período pré-desastre

+ DE 3.000 INDÍGENAS ATINGIDOS

dos povos Tupiniquim, Guarani Ñdeva, Guarani Mbya e Krekak tiveram perdas materiais e imateriais profundas que alteraram o seu modo de vida

4,2 VEZES MAIS RISCO DE INCIDÊNCIA DE ABORTOS

em relação aos munícipios controle, segundo registros de hospitalizações e atendimentos ambulatoriais

PESQUISA DOMICILIAR PARTICIPATIVA (PDP)

Em 2022, o Projeto Rio Doce realiza uma pesquisa domiciliar amostral para diagnosticar as atuais condições socioeconômicas da população residente na área atingida e avaliar os impactos do rompimento da Barragem de Fundão.

"Fui criado e trabalhava em uma fazenda. Plantava milho e outros cultivos. Trabalhava com irrigação. Pescava todos os dias e, à noite, limpava o peixe para a família comer. Vendia um pouco de peixe. Hoje não tem mais serviço na fazenda. Não tem mais pescaria. Acabou tudo."
 

Depoimento de homem idoso, de Santa Cruz do Escalvado/Rio Doce
Agosto de 2019

As estatísticas locais impressionam

Desastre atingiu ao menos 45 municípios da bacia do Rio Doce, onde vivem 2,2 milhões de pessoas, e chegou até o Oceano Atlântico

SOBRE O PROJETO

A FGV foi contratada pelo Ministério Público Federal para
diagnosticar e valorar os danos materiais e imateriais ocorridos
após o rompimento da Barragem de Fundão,
no Complexo Industrial de Germano, em Mariana (MG).
Os estudos subsidiam o MPF na busca pela reparação integral
dos atingidos pelo desastre. O objetivo desta plataforma é documentar e prestar contas do trabalho realizado pela FGV.

Uma das premissas básicas do trabalho da FGV neste projeto foi considerar a centralidade das pessoas e comunidades atingidas nos processos de mitigação e reparação.